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Vigilância Sanitária do DF já apreendeu mais de 10 toneladas de alimentos estragados em 2026

No último domingo, 7 de junho, em alusão ao Dia Mundial da Segurança dos Alimentos — data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —, a Vigilância Sanitária do Distrito Federal divulgou um balanço alarmante e detalhado de suas ações ao longo de 2026. Vinculado à Secretaria de Saúde (SES-DF), o órgão já retirou de circulação 10.152 kg de alimentos totalmente impróprios para o consumo humano.

O impressionante volume é resultado de uma varredura rigorosa: foram 15,4 mil fiscalizações realizadas no comércio local, que resultaram em 603 autos de infração e no fechamento (interdição parcial ou total) de 169 estabelecimentos que colocavam a vida da população em risco. O monitoramento combate diretamente males graves, como infecções alimentares, surtos de parasitas e o botulismo.

“Estamos falando de internações, faltas ao trabalho, sequelas graves e, em casos extremos, mortes que poderiam ser totalmente evitadas, além de sobrecarga nas unidades de saúde”, alertou a diretora de Vigilância Sanitária da SES-DF, Márcia Olivé.

Um dos maiores desafios apontados pelas autoridades é que a contaminação, na maioria das vezes, não dá avisos visuais. Conforme explica Fernanda Ledes, gerente de Vigilância de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da SES-DF, “o alimento contaminado, muitas vezes, mantém o mesmo cheiro, cor e sabor de um alimento saudável”.

Para quebrar essa armadilha silenciosa, os fiscais recolhem produtos diretamente das prateleiras de supermercados, feiras e farmácias e os enviam ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF). Só este ano, mais de 700 produtos passaram por testes rigorosos.

A diretora do Lacen-DF, Solange Fagundes, detalha que a estrutura laboratorial realiza análises microbiológicas, físicas e químicas completas. Em um prazo de até 72 horas, os cientistas conseguem rastrear:

  • Presença invisível de bactérias e fungos prejudiciais;
  • Excesso perigoso de aditivos químicos (como conservantes, corantes e aromatizantes);
  • Contaminantes pesados e níveis incorretos de sais minerais.

Apesar do alto número de apreensões, a Vigilância Sanitária destaca que o foco principal do órgão não é punir, mas sim educar o setor produtivo. A sanção rigorosa só é aplicada em casos de reincidência crônica ou negligência severa. Como parte dessa política pedagógica, mais de 6,8 mil servidores e manipuladores de alimentos já foram treinados em boas práticas apenas em 2026.

As vistorias cobrem toda a cadeia de consumo, indo desde a produção agrícola no campo até cozinhas de restaurantes, cantinas escolares e grandes eventos públicos.

A diretora Márcia Olivé lembra que a fiscalização ganha força total quando conta com o apoio da comunidade. O cidadão comum atua como a ponta final dessa linha de defesa. Prova disso é que o órgão já acolheu e resolveu 2.206 denúncias feitas pela população este ano.

Como denunciar: Qualquer irregularidade, falta de higiene em comércios ou venda de produtos vencidos pode ser denunciada anonimamente pelo site Participa DF ou pelo telefone 162.

Para proteger sua família em casa, as autoridades de saúde recomendam rejeitar imediatamente:

  1. Carnes e embutidos que não possuam o selo de inspeção oficial (SIF ou equivalente);
  2. Ovos que apresentem a casca suja, trincada ou rachada;
  3. Enlatados com embalagens amassadas, estufadas, semiabertas ou com sinais de ferrugem;
  4. Produtos sem rotulagem, sem data de validade visível ou de procedência completamente desconhecida.

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