Pai Ribamar de Oxóssi e Mãe Railda de Oxum são recebidos por Mãe Neuza de Xangô no histórico Terreiro da Casa Branca
O coração do Engenho Velho da Federação bateu mais forte e cheio de axé na última quinta-feira, 4 de junho de 2026. Enquanto as ruas de Salvador celebravam o feriado de Corpus Christi, o povo de santo vivenciou uma das datas mais sagradas das religiões de matriz africana, que são as grandes homenagens a Oxóssi (Osose), o Rei de Ketu, o caçador das matas e provedor da fartura.
Neste cenário de profunda devoção, um dos momentos mais lindos e emocionantes da data foi registrado no Ilê Axé Iyá Nassô Oká — o Terreiro da Casa Branca, o mais antigo do Brasil. A comunidade assistiu a um encontro histórico de lideranças que personificam o respeito, o afeto e a continuidade da nossa ancestralidade.
O terreiro centenário abriu suas portas para acolher com honras e muita fidalguia o renomado Pai Ribamar de Oxóssi e a querida Mãe Railda de Oxum, os dos da região do Planalto Central do Brasil. Vindos para saudar o Orixá da caça em sua data maior, eles foram recebidos com imenso carinho pela Ialorixá Mãe Neuza de Xangô, a grande matriarca que comanda os caminhos espirituais da Casa Branca.
A recepção emocionou a todos os presentes. O abraço entre Mãe Neuza de Xangô, Pai Ribamar e Mãe Railda selou não apenas uma união de grandes amigos, mas o encontro de forças sagradas: o fogo e a justiça de Xangô acolhendo a precisão da flecha de Oxóssi e a doçura e fertilidade das águas de Oxum.
O barracão da Casa Branca transformou-se em uma verdadeira floresta sagrada, lindamente ornamentado com folhas verdes que evocam o habitat do Orixá da fartura. Sob o som vibrante e ritmado dos atabaques e agogôs, os orins (cânticos) ecoaram elevando as preces por caminhos abertos, saúde e prosperidade.
Diante dos olhos marejados dos filhos e filhas de santo, as danças coreografadas que simulam o movimento do arco e flecha (ofá) trouxeram a certeza de que a fome, seja ela física ou espiritual, jamais alcançará aqueles que têm fé.
Para Pai Ribamar de Oxóssi e Mãe Railda de Oxum, participar dessa festividade ao lado de Mãe Neuza de Xangô no berço do candomblé nacional foi um momento de renovação de votos com o sagrado. Uma celebração inesquecível que uniu o respeito à história, a comunhão do alimento e a certeza de que o axé da Bahia continua vivo, forte e soberano.
Respeito
O ápice do sincretismo e do respeito inter-religioso na festividade foi marcado pela presença emocionante do padre da histórica Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, do Pelourinho, que fez questão de comparecer ao terreiro para prestigiar a cerimônia de Candomblé.



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