Capacitação em Sobradinho mobiliza moradores rurais no combate a incêndios e reforça alerta para período de seca
Moradores de áreas rurais de Sobradinho participaram, nesta quarta-feira (29), de uma oficina prática de combate inicial a incêndios em vegetação. A ação, realizada no Assentamento Chapadinha, integra a Operação Verde Vivo e foi promovida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal.
Voltada a produtores e trabalhadores do campo, a capacitação combinou teoria e prática com foco em regiões mais vulneráveis ao fogo, especialmente durante o período de estiagem. Ao longo do dia, os participantes receberam orientações sobre riscos das queimadas, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e técnicas essenciais para conter focos iniciais, como abertura de aceiros, uso de abafadores e operação de bombas costais.
Segundo o tenente Michel Aquino, integrante do Fórum de Prevenção a Incêndios Florestais, o objetivo é preparar a própria comunidade para agir nos primeiros momentos de um incêndio. “A orientação é sempre priorizar a segurança. Quando o fogo ganha intensidade, o mais seguro é evacuar a área”, destacou. Ele também alertou que práticas comuns, como a queima de restos de poda, estão entre as principais causas de incêndios na região.
Comunidade engajada e consciente
A mobilização local foi um dos destaques da atividade. A produtora rural Keila Rodrigues Reis Silva, que lidera a Associação Ecoagrovila Renascer, incentivou a participação dos moradores. “Todos os anos sofremos com queimadas. Esse tipo de curso ajuda a evitar que o fogo comece dentro das propriedades”, afirmou.
Para o aposentado José Ribamar da Silva Vilar, de 77 anos, o aprendizado prático é fundamental. “Apagar fogo exige preparo. Sem conhecimento, a situação pode piorar e colocar vidas em risco”, disse. A também aposentada Maria das Graças Santos Paiva reforçou a importância da abordagem correta: “Aprendemos que é preciso combater o fogo com segurança”.
Já o extensionista rural Gerlan Teixeira Fonseca destacou os impactos ambientais das queimadas. Segundo ele, o fogo compromete a fertilidade do solo, destrói micro-organismos e pode reduzir a disponibilidade de água ao longo do tempo, além de representar riscos diretos à vida humana.
Números ainda preocupam
Dados da Operação Verde Vivo mostram que, entre maio e outubro de 2025, o Distrito Federal registrou 6.488 incêndios florestais — uma queda de 24% em relação ao mesmo período de 2024. A área queimada também diminuiu, passando de 36,1 mil hectares para 25,7 mil hectares, redução de 28,7%.
Apesar da melhora, o cenário ainda preocupa. Cerca de 95% das ocorrências têm origem em ações humanas, especialmente o uso inadequado do fogo. As condições climáticas da seca — baixa umidade, altas temperaturas e ventos — agravam o problema e favorecem a rápida propagação das chamas.
Prevenção como estratégia
A Operação Verde Vivo segue até novembro, com ações de monitoramento, resposta rápida e educação ambiental. Em 2025, já foram realizadas 31 capacitações, alcançando cerca de 1,9 mil participantes em todo o DF.
Novas oficinas estão previstas para diferentes regiões, ampliando o alcance da iniciativa e reforçando a estratégia de prevenção como principal ferramenta no combate aos incêndios.
Mais do que ensinar técnicas, ações como a realizada em Sobradinho apostam na conscientização comunitária como linha de frente para reduzir danos ambientais, proteger a produção rural e preservar vidas em um período crítico para o cerrado.



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