Artesanato entra na agenda política do DF e expõe gargalos da economia criativa
O artesanato e a produção artística começam a ganhar centralidade no debate público em Distrito Federal e região do Entorno, impulsionados por demandas históricas do setor e pela crescente relevância da economia criativa. Nesta quinta-feira (23), a pré-candidata a deputada federal Carol Fleury (PSD-DF) reuniu-se com representantes da Associação dos Artesãos Laborarte para ouvir reivindicações e mapear entraves enfrentados pelos trabalhadores da área.
O encontro, realizado na sede da entidade, evidenciou um diagnóstico recorrente, que é a dificuldade de inserção no mercado formal. Entre as principais queixas apresentadas pelos artesãos estão a escassez de espaços para exposição e comercialização, a limitação de apoio institucional para participação em feiras e eventos e a falta de políticas contínuas de divulgação.

ELIANA DAS GRAÇAS, MARLON REIS, FRANCISCO BERNARDO, CAROL FLEURY E MAURÍCIO SILVA – FOTOS: ANDRÉ LUIZ
Representaram a Laborarte os líderes Maurício Silva, Eliana das Graças e Francisco Bernardo, que destacaram a necessidade de políticas estruturantes capazes de transformar a produção artesanal em atividade economicamente sustentável. Também participou da reunião o artista e restaurador Marlon Reis, reconhecido por seu trabalho na preservação de peças, sobretudo no campo da arte sacra — segmento que exige alta especialização e ainda enfrenta baixa visibilidade.
Durante a conversa, Carol Fleury reforçou que o papel dos artesãos ultrapassa a dimensão estética e se insere no campo estratégico do desenvolvimento social. Segundo ela, o setor articula identidade cultural, inclusão e geração de renda, pilares que sustentam o conceito de economia criativa.
Entre tradição e mercado
A produção artesanal, especialmente em regiões como o DF e o Entorno, opera como elo entre diferentes matrizes culturais. “Ao preservar técnicas e narrativas, os artesãos contribuem para a manutenção da memória coletiva e para a construção de identidade local”, lembrou Carol Fleury, que é cientista política.
Nesse contexto, políticas públicas — muitas vezes vinculadas ao Ministério da Cultura — tornam-se decisivas para ampliar o acesso a financiamento, formação e canais de comercialização. Sem esses mecanismos, a atividade tende a permanecer restrita a circuitos informais.
“Como deputada federal Carol Fleury será a nossa representante e poderá fazer muito pelos artesãos”, disse Maurício Silva.
Economia criativa em expansão, mas desigual
Dados de organismos como a UNESCO apontam a economia criativa como um dos setores mais dinâmicos da atualidade, combinando inovação, baixo custo de entrada e alto potencial de geração de renda. No entanto, a expansão não ocorre de forma homogênea.
No DF diversas iniciativas têm buscado conectar produção cultural e mercado, oferecendo visibilidade e oportunidades de negócio. Ainda assim, a ausência de infraestrutura básica e de políticas permanentes limita o alcance dessas ações.
Quando foi secretária de Estado do Entorno, Carol Fleury criou a feira #NoEntornoTem, que é o maior espaço de exposição dos artesão do Entorno. O evento é realizado anualmente no Parque da Cidade, em Brasília.
Além do impacto econômico, lembra Carol, o artesanato cumpre função social relevante. A atividade abre portas para grupos historicamente marginalizados — como mulheres, moradores de periferia e comunidades tradicionais —, permitindo não apenas geração de renda, mas também inserção social e reconhecimento.
A reunião entre a pré-candidata e os artesãos expõe, portanto, um ponto de inflexão: o setor já é reconhecido como estratégico, mas ainda carece de políticas públicas consistentes para se consolidar. Entre o discurso e a prática, permanece o desafio de transformar potencial criativo em desenvolvimento concreto.



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