Programa Viver 60+ transforma rotina de idosos e combate solidão no Distrito Federal
O envelhecimento da população tem imposto novos desafios ao poder público, principalmente quando o assunto é saúde emocional, qualidade de vida e combate à solidão entre idosos. No Distrito Federal, o programa Viver 60+, coordenado pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), vem se consolidando como uma das principais iniciativas voltadas ao acolhimento e à valorização da pessoa idosa.
Muito além de atividades físicas, o projeto tem mudado a rotina de milhares de idosos que antes viviam isolados dentro de casa, enfrentando depressão, dores físicas e a sensação de abandono. Hoje, os participantes encontram no programa não apenas exercícios e oficinas, mas também amizade, convivência e apoio emocional.
A subsecretária de Políticas para Pessoas Idosas da Sejus, Dolores Moreira da Costa Ferreira, destaca que o programa quebra preconceitos e mostra que o cuidado com os idosos precisa alcançar todas as regiões administrativas, independentemente da condição financeira da população.
“Não é sobre a condição social, é sobre o olhar para a pessoa que está isolada dentro de casa, em depressão, sozinha, com a sensação de vazio. Isso acontece muito, porque idosos passam por perdas”, afirma.
Atualmente, o Distrito Federal conta com 47 polos do Viver 60+ espalhados por 20 regiões administrativas, oferecendo dezenas de atividades como pilates, musculação, fisioterapia, dança, informática, inclusão digital, crochê, artesanato, fotografia e acompanhamento psicológico.
Parte dos atendimentos ocorre por meio de núcleos itinerantes, que permanecem temporariamente em cada cidade levando estrutura completa para os idosos. O modelo tem alcançado resultados expressivos. No Recanto das Emas, por exemplo, o núcleo mais recente registrou 160 inscrições em apenas cinco dias.
A coordenadora Marli Andrade afirma que o sucesso do projeto está diretamente ligado ao acolhimento oferecido aos participantes. Segundo ela, muitos idosos passam a frequentar várias atividades e criam fortes vínculos afetivos com as equipes e colegas.
Os relatos dos participantes mostram o impacto humano do programa. A aposentada Regina Luzia Pereira, de 63 anos, conta que antes vivia praticamente isolada dentro de casa. Hoje, atravessa cidades para continuar participando das atividades.
“Eu ficava lá em casa sem ter o que fazer, deitada, assistindo televisão. Agora, todo dia levanto cedo, pego o ônibus e estou aqui”, relata.
Já Francisca Moreira de Araújo, de 69 anos, afirma que recuperou parte da mobilidade após participar das aulas de musculação e informática. “Teve uma época em que eu nem conseguia me mexer. Hoje já consigo levantar o braço e me movimentar melhor”, comemora.
Além da melhora física, o Viver 60+ também atua diretamente na saúde mental dos idosos. O casal Sinesio Gomes Mendes e Maria de Fátima Antunes afirma que o projeto ajudou a substituir o silêncio da casa vazia por novas amizades e convivência social.
Em uma sociedade onde muitos idosos acabam esquecidos dentro de casa, iniciativas como o Viver 60+ mostram que envelhecer com dignidade também significa ter acesso ao lazer, ao acolhimento, à convivência e ao respeito humano.



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