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Acusação diz que chacina no DF foi crime planejado e pede condenação de réus

A acusação no julgamento da chamada “Chacina do DF” afirmou, nesta quinta-feira (16), que os assassinatos de 10 pessoas de uma mesma família foram resultado de uma ação “organizada, fria e planejada nos mínimos detalhes”. A tese foi apresentada no Tribunal do Júri de Planaltina, em uma sustentação oral que durou cerca de três horas e meia.

As manifestações começaram com o assistente de acusação, João Darc, e seguiram com os promotores de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que defenderam a condenação dos cinco réus conforme a denúncia. Somadas, as penas podem variar entre 211 e 385 anos de prisão, de acordo com o Código Penal.

Logo no início da apresentação, o promotor Nathan da Silva Neto pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas e classificou o caso como um dos mais graves já registrados no Distrito Federal. Segundo ele, trata-se de um “familicídio” marcado pela extrema violência e pela atuação conjunta dos acusados.

Durante a sustentação, o Ministério Público argumentou que o crime só foi possível devido à participação de todos os réus. “O que se tem aqui é um verdadeiro empreendimento criminoso. Se não houvesse a atuação de todos, o resultado não teria sido esse”, afirmou o promotor.

De acordo com a acusação, as investigações permitiram identificar não apenas os executores, mas toda a dinâmica utilizada para atrair, manter e matar as vítimas. O conjunto probatório inclui laudos periciais e outros elementos considerados robustos.

Ao analisar os interrogatórios, a acusação apontou contradições nas versões apresentadas pelos réus e tentativas de transferência de responsabilidade. “Cada um tenta atribuir a culpa ao outro”, disse Nathan da Silva Neto. Os promotores também destacaram que manifestações de arrependimento não foram uniformes entre os acusados.

O promotor Daniel Bernoulli ressaltou que os direitos constitucionais dos réus foram respeitados ao longo do processo e que a denúncia se sustenta em provas consistentes. Ele também destacou a atuação integrada das instituições envolvidas, incluindo promotorias de Planaltina e do Paranoá, o Núcleo do Tribunal do Júri e a Polícia Civil do Distrito Federal.

Ao final, o Ministério Público reforçou o papel do júri popular. “O júri é a instância que protege a sociedade”, afirmou, ao pedir que os jurados acolham integralmente a denúncia.

Último a se manifestar, o promotor Marcelo Leite aprofundou a análise das provas e destacou divergências entre os depoimentos prestados na fase de investigação e aqueles apresentados em plenário.

Durante sua fala, ele também se dirigiu a Antônia, mãe de uma das vítimas, Marcos, de 93 anos, que acompanha o julgamento. O promotor mencionou o desaparecimento de Nelson, cachorro de estimação da vítima. Segundo a perícia, um animal foi encontrado queimado em uma churrasqueira, mas não houve identificação.

Interrogatórios e andamento do júri

Os interrogatórios dos réus ocorreram na quarta-feira (15) e quinta-feira (16), terceiro e quarto dias de julgamento, considerado um dos mais complexos já realizados no Distrito Federal.

Durante as oitivas, os acusados apresentaram versões diferentes. Carlomam dos Santos Nogueira confessou participação nos crimes e afirmou ter estado presente em todos os assassinatos. Horácio Carlos Ferreira Barbosa exerceu o direito de permanecer em silêncio. Os demais réus optaram por responder às perguntas em plenário.

Para o Ministério Público, essa etapa é fundamental para que os jurados possam confrontar os depoimentos com o conjunto de provas reunidas durante a investigação.

O julgamento teve início na segunda-feira (13), com a oitiva de 18 testemunhas, entre policiais, investigadores e pessoas próximas às vítimas. A expectativa é de que o júri seja concluído até o fim de semana.

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