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Aleitamento materno ganha papel decisivo na proteção de bebês durante período de vírus respiratórios

Com a chegada do outono e do inverno, o Distrito Federal entra no período mais crítico para a circulação de vírus respiratórios, como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e coronavírus. Entre março e agosto, o tempo seco e a baixa umidade do ar criam condições ideais para a disseminação dessas doenças — cenário que acende o alerta, principalmente para bebês e crianças.

Nesse contexto, o aleitamento materno se consolida como uma das principais estratégias de proteção. O leite humano, além de completo do ponto de vista nutricional, atua diretamente no fortalecimento do sistema imunológico, ainda imaturo nessa fase da vida.

A pediatra Vanessa Macedo, do Hospital Materno Infantil de Brasília, destaca que a amamentação vai além da alimentação. “É a proteção básica, a primeira vacina do bebê. Quanto mais tempo esse bebê for amamentado, mais proteção ele vai desenvolver. Cada gota importa”, afirma.

Mesmo em casos em que a criança já apresenta sintomas respiratórios, a recomendação é manter — e até intensificar — a amamentação. Isso porque o leite materno contribui para a hidratação e fortalece as defesas do organismo, auxiliando na recuperação.

Outro ponto importante é a continuidade do vínculo entre mãe e filho, mesmo quando há exposição a vírus dentro de casa. Segundo especialistas, o organismo materno reage rapidamente, produzindo anticorpos que são transmitidos ao bebê por meio do leite, muitas vezes antes mesmo do aparecimento dos sintomas na mãe.

Medidas preventivas também seguem essenciais. A chamada “etiqueta respiratória”, que inclui uso de máscaras em caso de sintomas, higienização frequente das mãos e cuidados ao tossir ou espirrar, ajuda a reduzir a transmissão dentro do ambiente familiar.

Além do aleitamento, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal reforçou a estratégia de prevenção com a vacinação de gestantes contra o VSR, iniciada em dezembro. A medida busca proteger os recém-nascidos contra a bronquiolite, uma das principais causas de internação nessa faixa etária.

Para bebês com maior risco de complicações, como prematuros ou com comorbidades, a rede pública também disponibiliza o anticorpo monoclonal nirsevimabe, aplicado ainda nas maternidades ou em unidades de saúde.

Diante do aumento das viroses respiratórias, a combinação entre aleitamento materno, vacinação e cuidados preventivos se mostra essencial para proteger os mais vulneráveis — reforçando que, nos primeiros meses de vida, o cuidado começa, literalmente, no colo e no leite materno.

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