×

Acusado de matar sogros a golpes de facão na véspera do Natal é condenado a 89 anos de prisão em Cristalina

Após 36 horas de julgamento, o Tribunal do Júri acolheu integralmente a denúncia do Ministério Público de Goiás e condenou Milton Pereira dos Santos por feminicídio, homicídio e outros quatro crimes.

Cristalina, GO — Em uma das decisões mais severas da história recente do Judiciário local, o Tribunal do Júri da comarca de Cristalina condenou Milton Pereira dos Santos a uma pena total de 89 anos, 3 meses e 10 dias de reclusão, além de 8 meses de detenção. O veredito foi proferido no final da noite da última quarta-feira (17/6), após uma intensa sessão de julgamento que se estendeu por 36 horas.

O Ministério Público de Goiás (MPGO), representado no júri pelo promotor de Justiça Diego Henrique Siqueira Ferreira, obteve a condenação do réu por uma série de crimes que chocaram a comunidade: feminicídio, homicídio qualificado, fraude processual, adulteração de sinal identificador de veículo e violência psicológica contra a mulher

O duplo homicídio ocorreu na noite de 23 de dezembro de 2024, no Assentamento Vista Alegre, localizado na zona rural de Cristalina. Conforme a denúncia inicial do MPGO, assinada pelo promotor Fernando Centeno Dutra, Milton mantinha uma união estável com Maísa Batista Martins. Inconformado com a decisão de Maísa de terminar o relacionamento — que contava com o apoio da mãe dela —, o homem planejou o ataque.

Os detalhes apresentados no julgamento revelaram a frieza e a premeditação das ações:

  • Corte de Energia: Antes de invadir o imóvel, Milton interrompeu o fornecimento de energia elétrica da casa para desarmar as câmeras de segurança e reduzir a capacidade de defesa das vítimas.
  • As Vítimas: Ele matou a facadas a ex-sogra, Maria Batista de Oliveira, de 68 anos (crime tipificado como feminicídio), e o companheiro dela, Mário Domingos. Mário foi assassinado para que não restassem testemunhas e para assegurar a execução do primeiro crime.
  • Frieza: Durante os debates, o promotor Diego Henrique chocou os jurados ao expor o comportamento do réu antes do ataque. “Quando ele perguntou ao Mário: ‘vai passar Natal onde?’, já sabia que ia matá-lo”, destacou.

O Conselho de Sentença acolheu por unanimidade a tese do MPGO de que Milton praticou violência psicológica contínua contra a ex-companheira, utilizando mensagens de WhatsApp com forte teor de chantagem emocional e vitimização para tentar impedir o fim do namoro. Os jurados identificaram que a conduta abusiva ocorreu repetidas vezes entre os meses de novembro e dezembro de 2024.

Além disso, após cometer os assassinatos, o condenado e um comparsa, identificado como Cleiton Vieira Costa, tentaram apagar os rastros do crime: lavaram as roupas utilizadas, limparam o veículo e retiraram a placa de identificação da motocicleta usada na fuga. A ação resultou nas condenações por fraude processual e adulteração de sinal identificador.

Publicar comentário