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Clima Esquenta na Alego – Conselho de Ética analisa pareceres sob troca de acusações entre deputados

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) volta a se reunir nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, às 14 horas, em formato híbrido. O encontro promete ser uma das etapas mais decisivas do ano, dando continuidade à análise das representações por quebra de decoro que envolvem diferentes parlamentares da Casa.

A expectativa em torno dos trabalhos movimentou os bastidores do Plenário Iris Rezende Machado na tarde desta terça-feira (9), onde os envolvidos e o comando do colegiado concederam entrevistas à imprensa para demarcar suas posições.

O presidente do colegiado, deputado Charles Bento (MDB), destacou que o processo avançou significativamente após o fim da fase de instrução e a oitiva de testemunhas. Embora tenha ressaltado que a presidência não pode antecipar os votos dos relatores, Bento confirmou que o grupo já debate a aplicação de sanções com pesos distintos para os envolvidos.

“Realmente vai haver punições, punições diferentes de um e de outro. Toda ação causa uma reação. Então, é o que vem acontecendo aqui, e a isso nós temos que dar um basta”, declarou Charles Bento.

As representações cruzadas entre a deputada Bia de Lima (PT) e o deputado Amauri Ribeiro (PL) estão sob a relatoria dos deputados Rosângela Rezende (Agir) e Dr. George Morais (MDB), respectivamente. Já os casos que envolvem Amauri Ribeiro e Major Araújo (PL) ainda aguardam a definição de quem será o relator.

O presidente também justificou a aparente demora na condução dos trabalhos, alegando respeito ao direito de defesa e ao devido processo legal, mas revelou que o conselho estuda mudar o regimento interno para que casos futuros de quebra de decoro tenham trâmites mais céleres e menos burocráticos.

A deputada Bia de Lima (PT) externou forte insatisfação com o ritmo do processo, apontando que as investigações só caminharam após novos escândalos surgirem na Casa. Para a parlamentar, o caso não se resume a divergências ideológicas, mas atinge diretamente o respeito às mulheres no exercício de seus mandatos.

Bia também criticou a apresentação de um projeto de decreto legislativo que tenta sustar o andamento de um processo contra Amauri Ribeiro na Justiça Eleitoral. “Tenta-se intervir com esse mecanismo para impedir o trabalho do TRE-GO, isso para mim é um absurdo do tamanho do mundo”, disparou.

Ao comentar sobre a possibilidade de receber punições graduadas, a petista foi categórica em rejeitar qualquer tipo de equiparação de conduta:

“Eu sou a vítima, eu não sou agressora de ninguém. Minha atuação sempre esteve pautada pelo debate político e pelo contraditório, sem ataques pessoais.”

Também em entrevista à imprensa nesta terça-feira, o deputado Amauri Ribeiro (PL) assegurou que manterá suas bandeiras políticas e ideológicas inalteradas, mas confirmou que adotará uma nova postura em plenário para neutralizar as narrativas da oposição.

Ribeiro afirmou que costumava debater com Bia de Lima no mesmo nível por considerá-la uma parlamentar forte, mas que mudará a estratégia a partir de agora:

“Vou mudar o nível da discussão para evitar que ela se utilize da forma como eu me expresso para se fazer de vítima. Deixo bem claro que todas as discussões que eu tive nessa Casa foram discussões ideológicas… E ela se utilizou disso para atacar de misoginia e de violência de gênero”, rebateu o deputado.

Se os pareceres forem lidos e votados nesta quarta-feira, as medidas acolhidas pelo Conselho de Ética poderão ser aplicadas de forma imediata, a menos que haja pedidos de vista ou recursos regimentais previstos pelas defesas, arrastando o desfecho para o plenário da Casa.

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