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Mães atípicas transformam amor em força e enfrentam rotina de dedicação integral no DF

O Dia das Mães, comemorado neste domingo, 10 de maio, também foi marcado pela reflexão sobre a realidade das mães atípicas — mulheres que transformam o amor em resistência diante de uma rotina intensa de cuidados, terapias, incertezas e dedicação integral aos filhos.

No Distrito Federal, histórias como a da aposentada Cleide Maria Magalhães Matos, de 56 anos, revelam a dimensão dessa maternidade. Mãe de Jessé Magalhães, de 28 anos, diagnosticado com autismo suporte 3 severo, ela lembra que o início foi cercado de medo e insegurança. “Você cria expectativas com um filho. Foi um balde de água fria. Mas por ele eu faria tudo novamente”, relata.

A vida de Cleide começou a mudar quando Jessé passou a ser atendido em um dos centros de ensino especial da rede pública do Distrito Federal. Além da evolução do filho, que hoje desenvolve atividades artísticas e convive melhor socialmente, ela também reencontrou forças para cuidar da própria saúde e recuperar a autoestima.

A realidade das mães atípicas vai além do cuidado diário. Muitas deixam empregos, interrompem projetos pessoais e passam a viver integralmente em função dos filhos. Terapias, consultas, escola e atenção constante fazem parte de uma rotina silenciosa e, muitas vezes, invisível para a sociedade.

No DF, a rede pública de educação especial atende mais de 27 mil estudantes em 675 escolas, incluindo 13 centros de ensino especial e centenas de salas de recursos multifuncionais. O trabalho desenvolvido busca não apenas acolher os alunos, mas também oferecer suporte emocional e social às famílias.

Segundo a secretária de Educação do Distrito Federal, Iêdes Braga, o acolhimento precisa alcançar também as mães. “A escola tem a função social de acolher esses alunos e isso nos leva a olhar também para essas mães, que carregam uma responsabilidade permanente”, afirmou.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também destacou a importância das mães atípicas neste Dia das Mães. “São mulheres que lutam diariamente com coragem, perseverança e amor incondicional. Merecem respeito, acolhimento e políticas públicas que garantam dignidade e apoio”, declarou.

Para muitas famílias, os centros de ensino especial representam mais do que escolas. Tornam-se espaços de acolhimento, troca de experiências e reconstrução emocional. Entre atividades pedagógicas, oficinas e convivência social, mães encontram apoio umas nas outras e conseguem seguir enfrentando os desafios da maternidade atípica.

Mais do que uma homenagem, o Dia das Mães deste ano serviu para lembrar que existem mulheres que vivem uma maternidade em tempo integral — marcada pelo cansaço, pela superação e, sobretudo, por um amor que resiste todos os dias.

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