Relatórios do Coaf apontam transferências milionárias ligadas à JBS e escritório em Goiânia
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo a holding J&F Investimentos e a JBS. Segundo reportagem do jornal Estadão, as empresas teriam transferido, juntas, R$ 11,5 milhões a um escritório de advocacia em Goiânia no fim de 2023.
O escritório pertence à advogada Maísa de Maio Marciano, que, de acordo com os dados analisados pelo Coaf, apresentava faturamento mensal médio de cerca de R$ 9 mil. Ainda conforme a publicação, os valores foram creditados em duas operações: R$ 8 milhões pagos pela JBS em 15 de dezembro de 2023 e outros R$ 3,5 milhões transferidos pela J&F três dias depois.
O ponto que despertou atenção das autoridades foi a rapidez na circulação dos recursos. No mesmo dia em que recebeu parte dos valores, a advogada teria transferido R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa. Ele é citado como comprador, em 2025, da participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no resort Tayayá.
A identificação das movimentações suspeitas teria sido feita por uma agência do Sicoob em Goiânia, que reportou os dados ao Coaf para análise.
Em nota, a JBS afirmou que os pagamentos realizados ao escritório referem-se a serviços jurídicos prestados e devidamente comprovados. A empresa também declarou não ter informações sobre movimentações financeiras do fornecedor para terceiros e disse aguardar esclarecimentos sobre a eventual conexão entre suas operações e as transferências subsequentes.
O caso lança luz sobre a necessidade de monitoramento rigoroso de fluxos financeiros de alto valor, especialmente quando envolvem operações que destoam do padrão econômico dos beneficiários, e pode avançar para investigações mais aprofundadas por órgãos de controle e fiscalização.



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