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Aumento das passagens gera revolta e medo no Entorno. População teme perder empregos e cobra reação política

O próximo domingo, 22 de fevereiro, chega cercado de angústia para milhares de trabalhadores das cidades do Entorno que dependem diariamente do transporte para chegar a Brasília. A partir dessa data, entra em vigor o reajuste de 2,546% nas tarifas do transporte semiurbano entre o Distrito Federal e municípios vizinhos, decisão aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Para quem já enfrenta longas viagens, ônibus lotados e renda apertada, o aumento representa mais do que números: significa insegurança financeira, risco de desemprego e desespero crescente.

“Tem gente que já está fazendo contas para ver se compensa continuar trabalhando em Brasília”, relata uma usuária do sistema. “A gente paga caro por um serviço ruim e ainda tem que aceitar aumento todo ano.”

Nas cidades do Entorno do Distrito Federal, onde milhares dependem do deslocamento diário para trabalhar, estudar ou buscar atendimento de saúde, o reajuste acendeu um alerta social.

Moradores relatam que o impacto pesa diretamente no orçamento familiar. Muitos afirmam que, somando ida e volta, o custo mensal pode comprometer parte significativa do salário.

Especialistas apontam que o efeito não é apenas financeiro — é também social. A dificuldade de acesso ao transporte pode levar ao abandono de empregos, aumento do desemprego e agravamento da desigualdade regional.

Diante do cenário, a cientista política Carol Fleury – que tem uma forte ligação com o Entorno -, afirma que o momento exige uma reação urgente das lideranças públicas.

Segundo ela, é necessário criar uma rede de proteção social para defender os moradores do Entorno, considerada uma das populações mais vulneráveis da região metropolitana.

“Estamos falando de trabalhadores que já vivem no limite. Esse reajuste pode significar a perda do emprego, o afastamento da escola ou a dificuldade de acesso à saúde. É uma questão social grave”, alertou.

Carol também destacou que acredita na necessidade de articulação política ampla para enfrentar o problema. Na avaliação dela, um dos nomes com histórico de atuação na pauta é o ex-governador do DF José Roberto Arruda, que, segundo a cientista, já ajudou a população do Entorno em momentos anteriores, em conjunto com prefeitos e vereadores da região.

Revolta e sensação de abandono

Entre os moradores, o sentimento predominante é de abandono e revolta. Muitos afirmam que o Entorno continua pagando caro por um sistema precário, sem investimentos equivalentes.

“O povo está cansado. Todo ano é aumento, e nada melhora. A gente se sente esquecido”, disse um trabalhador que faz o trajeto diariamente.

Enquanto o reajuste se aproxima, cresce a pressão por soluções políticas e estruturais. Para milhares de famílias, o aumento das passagens não representa apenas um gasto a mais — mas a ameaça concreta à própria sobrevivência econômica.

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