Carol Fleury faz faltas às cidades do Entorno. Passagens mais caras expõem falha de gestão
O novo reajuste nas passagens do transporte do Entorno do Distrito Federal — confirmado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 2,54% a partir de 22 de fevereiro — reacendeu críticas duras contra os governos do DF e de Goiás. Especialistas, lideranças locais e usuários apontam que o aumento é mais um reflexo direto da incapacidade dos gestores de tirar do papel o aguardado Consórcio Interestadual de Transporte.
A proposta do consórcio previa dividir custos entre União, DF e Goiás, o que poderia reduzir tarifas e melhorar a qualidade do serviço. No entanto, o projeto nunca saiu da fase de negociações, deixando milhões de trabalhadores reféns de um sistema caro e precário.
Em nota, o governo goiano afirma que a ANTT se recusou a formalizar o modelo compartilhado. Já o secretário de Transporte do DF, Zeno Gonçalves, admitiu frustração:
“Olha-se de forma bastante pessimista. Estamos desanimados com essa postura da ANTT de não aceitar os termos do protocolo de intenções.”
Para moradores do Entorno, porém, a responsabilidade não é apenas da União. Há críticas crescentes à falta de articulação política entre DF e Goiás, que há anos anunciam soluções, mas não conseguem implementar medidas concretas.
Analistas do setor afirmam que faltou liderança, capacidade técnica e vontade política para destravar o consórcio, considerado a única saída estrutural para reduzir tarifas.
No meio da crise, um nome voltou a ganhar destaque nas discussões, o da ex-secretária Carol Fleury (foto).
Durante sua gestão, não houve reajustes nas passagens do Entorno, e o projeto do consórcio chegou a avançar significativamente. À época, faltavam apenas etapas finais para formalização do acordo entre os entes federativos.
Moradores, lideranças comunitárias e especialistas avaliam que sua saída representou uma ruptura no processo.
“Quando ela estava à frente, o consórcio estava praticamente pronto. Hoje vemos retrocesso e tarifas cada vez mais pesadas”, afirma um representante de usuários do transporte.
Quando era secretária, Carol articulou, mobilizou e até fez um abaixo assinado contra os reajustes. Ela não ficou parada.
Impacto direto na população
O aumento nas passagens atinge principalmente trabalhadores de baixa renda que dependem diariamente do transporte entre cidades goianas do Entorno e Brasília. Para muitos, o reajuste representa mais um peso no orçamento já comprometido.
Enquanto isso, o consórcio — prometido há anos como solução definitiva — segue parado, transformando-se, na prática, em símbolo da falta de coordenação entre governos e da crise permanente do transporte na região.



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