Operação da Polícia Civil expõe fragilidade digital e combate quadrilhas do golpe do “falso advogado”
A Polícia Civil do Distrito Federal, por meio da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), deflagrou nesta terça-feira (3) uma operação contra duas organizações criminosas especializadas no golpe conhecido como “falso advogado”. O caso lança luz sobre a sofisticação das fraudes eletrônicas e evidencia vulnerabilidades nos sistemas digitais utilizados por profissionais do Direito e pelo próprio Judiciário.
As investigações apontam que os criminosos obtinham acesso a senhas de advogados vazadas na internet e, a partir disso, assumiam o controle de e-mails profissionais e contas vinculadas ao sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe). Com os acessos indevidos, os investigados consultavam processos em tramitação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e na Justiça Federal, utilizando informações reais para conferir aparência de legitimidade às fraudes.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos entravam em contato com vítimas envolvidas em ações judiciais, simulando comunicações oficiais e induzindo o pagamento de supostas taxas, honorários ou liberações de valores. A estratégia explorava a confiança no sistema de Justiça e o desconhecimento técnico das vítimas, muitas delas já fragilizadas por disputas judiciais em andamento.
No curso de inquéritos distintos, foram identificados dois grupos de estelionatários com base na Zona Leste da cidade de São Paulo. A operação resultou na decretação de cinco prisões preventivas, no cumprimento de dez mandados de busca e apreensão e na expedição de ordens judiciais para o sequestro de valores, todas executadas no estado de São Paulo.
As investigações revelaram que o esquema começava com o acesso indevido a e-mails de advogados, geralmente por meio de senhas reutilizadas ou expostas em vazamentos de dados. Em seguida, os criminosos realizavam a recuperação de senha no sistema PJe, passando a controlar o acesso às plataformas de consulta processual, sem que as vítimas percebessem imediatamente a invasão.
O caso expõe uma preocupação crescente com a segurança da informação no ambiente jurídico e reforça a necessidade de protocolos mais rígidos de proteção digital, tanto por parte dos profissionais quanto das instituições responsáveis pelos sistemas judiciais.
Os investigados devem responder pelos crimes de estelionato (fraude eletrônica), lavagem de capitais e organização criminosa. Após o cumprimento das ordens judiciais, permanecem à disposição da Justiça.
A Polícia Civil alerta para a importância da verificação rigorosa de contatos que envolvam processos judiciais e reforça que advogados e partes devem adotar medidas de segurança digital, como autenticação em dois fatores e monitoramento constante de acessos. O avanço das fraudes eletrônicas, cada vez mais sofisticadas, impõe um desafio permanente às autoridades e evidencia que o combate ao crime cibernético precisa caminhar lado a lado com o fortalecimento da segurança institucional.



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