Pré-candidato à Presidência, Renan Santos defende bomba atômica para o Brasil e gera reação nas redes
O pré-candidato à Presidência da República em 2026 pelo partido Missão, Renan Santos, provocou forte repercussão neste sábado (3) ao defender publicamente que o Brasil desenvolva uma bomba atômica como estratégia de proteção das riquezas nacionais. A declaração foi feita por meio das redes sociais e rapidamente dividiu opiniões.
A manifestação ocorreu em meio à escalada de tensão internacional após ataques dos Estados Unidos ao território venezuelano, que resultaram na captura e prisão do presidente Nicolás Maduro. Ao comentar o episódio, Renan afirmou que a ausência de armamento nuclear coloca o Brasil em posição de fragilidade no cenário global.
“É obrigatório que o Brasil esteja armado e tenha bomba atômica. Mas um país que se odeia não se protege. Quer tentar ter ordem e autorrespeito. Nossa autossabotagem, que elimina propriedades naturais e desrespeita nossa história, é a base de nossas fraquezas”, escreveu o pré-candidato.
A declaração reacende um debate sensível e histórico no país. O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e, desde a Constituição de 1988, adota oficialmente uma política de uso exclusivamente pacífico da energia nuclear. O artigo 21 da Carta Magna estabelece que atividades nucleares no país devem ter fins civis, como geração de energia e pesquisa científica.
Especialistas em relações internacionais alertam que a defesa de armamento nuclear representa uma ruptura com décadas de diplomacia brasileira, marcada pelo multilateralismo, pela solução pacífica de conflitos e pelo protagonismo em fóruns internacionais de desarmamento. Analistas também apontam que a simples defesa pública de uma bomba atômica pode gerar desgastes diplomáticos e comerciais, além de repercussões jurídicas.
Nas redes sociais, a fala de Renan Santos foi alvo de críticas e apoio. Enquanto alguns seguidores elogiaram o discurso como “patriótico” e “realista” diante das tensões globais, outros classificaram a proposta como irresponsável, perigosa e incompatível com a tradição diplomática brasileira.
Até o momento, o Itamaraty não se manifestou oficialmente sobre a declaração. O partido Missão também não divulgou nota esclarecendo se a posição expressa por Renan Santos reflete uma diretriz oficial da legenda ou trata-se de opinião pessoal do pré-candidato.
O episódio evidencia como o cenário internacional e os conflitos geopolíticos têm influenciado o discurso político interno, antecipando debates que devem ganhar força ao longo da corrida presidencial de 2026.



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