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MPDFT aperta o cerco e alerta para uso indevido de bens públicos no DF

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios elevou o tom contra práticas consideradas irregulares na gestão pública e expediu uma recomendação direta às administrações regionais do Distrito Federal: está proibido o empréstimo de bens públicos a particulares para eventos privados.

A medida, assinada pelas Promotorias de Defesa dos Direitos Difusos, mira um problema recorrente nos bastidores do poder — o uso informal de estruturas públicas fora do interesse coletivo. Segundo o órgão, equipamentos e patrimônios do Estado só podem ser utilizados em situações excepcionais, desde que vinculados a ações oficiais e com respaldo administrativo rigoroso.

O recado é claro: sem processo formal, justificativa documentada e responsabilidade definida, não há autorização. A prática irregular, quando comprovada, pode configurar improbidade administrativa.

A recomendação se baseia no Decreto Distrital nº 16.109/1994, que restringe o uso de bens móveis exclusivamente ao serviço público. O MPDFT reforça que nem mesmo eventos de relevância social, cultural ou religiosa justificam, por si só, a cessão de patrimônio público sem amparo legal.

Veículos oficiais também entram na mira

Em outra frente, o Ministério Público também determinou um pente-fino no uso de veículos oficiais. A orientação exige controle rígido sobre condução, abastecimento e guarda da frota pública.

Entre as medidas, está a suspensão imediata do uso de veículos por pessoas sem autorização formal, além da obrigatoriedade de registro eletrônico para cada abastecimento. O órgão também cobra a regularização de veículos sem identificação, a apuração de multas pendentes e o fim do uso fora de garagens oficiais.

As determinações seguem o Decreto nº 47.091/2025 e reforçam um princípio básico: veículos públicos são instrumentos de trabalho — não privilégios.

Prazo e pressão

As administrações regionais têm 20 dias úteis para responder ao MPDFT. Mais do que uma recomendação, o movimento sinaliza um endurecimento na fiscalização e um aviso direto: o uso da máquina pública fora das regras não será mais tolerado.

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