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Governo Ibaneis/Celina corta R$ 900 milhões da Educação e expõe prioridades que sacrificam o DF

O encerramento do ano legislativo no Distrito Federal escancarou um cenário que já vinha sendo denunciado por especialistas, entidades e movimentos sociais: o governo Ibaneis/Celina segue fazendo escolhas que penalizam diretamente os serviços públicos essenciais. A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 na Câmara Legislativa — com a retirada de R$ 900 milhões da Educação — acendeu o alerta vermelho no setor e gerou forte reação do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF).

Apesar das 43 emendas apresentadas pelos deputados distritais, apenas R$ 9 a R$ 10 milhões foram recuperados — menos de 1,2% do que foi retirado. A discrepância numérica evidencia uma política de cortes que não se explica por falta de dinheiro: o Fundo Constitucional do DF terá aumento real em 2026. Ou seja, não se trata de restrição fiscal, mas de prioridades assumidas.

Renúncias bilionárias para empresários, cortes para o povo

Enquanto educação, saúde e assistência social sofrem com reduções orçamentárias, o governo mantém uma política agressiva de renúncia fiscal. Para 2026, os benefícios concedidos a grandes empresários devem ultrapassar R$ 8,3 bilhões — um valor quase dez vezes maior que o corte imposto à Educação.

O contraste é gritante:
👉 empresários ganham incentivos fiscais;
👉 escolas públicas perdem investimentos;
👉 estudantes e professores amargam salas lotadas, infraestrutura precária e falta de recursos básicos.

O recado do orçamento é claro: o governo escolhe quem merece prioridade — e a educação, mais uma vez, não está entre esses escolhidos.

Sinpro denuncia sucateamento deliberado

Representantes do Sindicato dos Professores acompanharam a votação e reforçaram o que chamam de “projeto de sucateamento” da educação pública. Para Márcia Gilda, diretora do Sinpro, os cortes confirmam uma escolha política consciente:

“O governo ratifica sua opção política por sucatear a educação pública.”

A declaração ecoa a indignação da categoria, que já convive com sobrecarga de trabalho, falta de concursos, escolas deterioradas e ausência de políticas de valorização profissional.

O Sinpro reconhece que a luta tem gerado vitórias parciais ao longo dos últimos anos — mas afirma que a mobilização será intensificada em 2026.

“Seguiremos em luta em defesa da escola pública. 2026 será um ano de desafios e nós já estamos preparados para enfrentá-los.”

Um orçamento que revela prioridades — e desigualdades

A escolha de cortar recursos de setores essenciais, mesmo em um cenário de aumento no Fundo Constitucional, reforça a percepção de que a população mais vulnerável — que depende da rede pública — está sendo preterida. Enquanto isso, o governo opta por fortalecer setores já favorecidos economicamente.

A decisão orçamentária não é neutra: ela molda o presente e compromete o futuro. E o que se viu na votação da LOA de 2026 é um DF que investe menos em educação e mais em renúncia fiscal, um caminho que, historicamente, aumenta desigualdades e reduz oportunidades.

O próximo capítulo será nas ruas

Com a aprovação do orçamento, a disputa agora migra para outro campo: o da mobilização social. O Sinpro promete intensificar a pressão sobre o governo ao longo de 2026, e a insatisfação crescente da categoria indica que o próximo ano pode ser marcado por paralisações, greves e debates intensos sobre o futuro da educação pública no DF.

A pergunta que fica é:
até quando políticas públicas essenciais continuarão sendo sacrificadas em nome de interesses econômicos?

A educação foi a primeira a sentir o golpe — mas dificilmente será a última, se o rumo não mudar.

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