Depois de anos de abandono, GDF corre contra o tempo para recuperar vias destruídas pelas chuvas em São Sebastião
O que hoje é visto como uma grande força-tarefa do Governo do Distrito Federal (GDF) em São Sebastião escancara uma verdade incômoda: os transtornos causados pelas chuvas poderiam ter sido evitados se a manutenção da malha viária e da rede de drenagem tivesse sido feita antes, de forma preventiva.
Com ruas esburacadas, lama, alagamentos e dificuldade de locomoção, a população voltou a sofrer com problemas antigos, agravados pelas chuvas recorrentes deste início de ano. Agora, diante do cenário crítico, o GDF mobilizou uma operação emergencial envolvendo o programa GDF Presente, a Novacap, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e a administração regional.
As ações incluem recuperação do asfalto, manutenção de vias não pavimentadas e limpeza de bocas de lobo em toda a rede de drenagem pluvial — um trabalho que deveria ser contínuo, mas que acabou sendo intensificado apenas após os estragos provocados pelo grande volume de água.
As intervenções começaram pelas áreas centrais, consideradas as mais impactadas pelas chuvas. No bairro Vila Nova, cerca de 3 mil toneladas de massa asfáltica estão sendo utilizadas para recompor ruas destruídas. Também são realizadas obras na Avenida Principal do bairro Zumbi dos Palmares e no Morro da Cruz, rotas essenciais para o transporte escolar.
Para dar conta da demanda, foram mobilizados aproximadamente 15 caminhões, oito máquinas pesadas, cerca de 50 trabalhadores e duas equipes do GDF Presente — uma estrutura de guerra para reparar danos que poderiam ter sido minimizados com planejamento e manutenção preventiva.
A dimensão do problema ficou evidente após um único evento climático despejar 71 milímetros de chuva sobre São Sebastião, um dos maiores volumes já registrados na região. O resultado foi o colapso de trechos inteiros da cidade, com crateras no asfalto, lamaçais e interrupções no tráfego.
Segundo o coordenador do Polo Sudoeste do GDF Presente, Leandro Cardoso, o trabalho é uma resposta direta à situação emergencial.
“É um trabalho para amenizar os estragos na malha viária, decorrente do grande volume de água que afetou a cidade. Precisamos devolver o direito de ir e vir da população e atender sem medir esforços”, afirmou.
Já o chefe de gabinete da Administração Regional, Valmir José da Conceição, reconhece a gravidade do cenário.
“Tivemos um problema sério com uma das maiores chuvas acumuladas da região. Em um único evento, foram 71 milímetros de chuva, o que agravou os danos em vários pontos da cidade”, relatou.
Embora o mutirão seja fundamental para restabelecer a trafegabilidade e a segurança da população, o episódio reforça uma cobrança antiga dos moradores: é preciso que o poder público atue antes do período chuvoso, com manutenção preventiva e planejamento, para que a cidade não precise viver, ano após ano, o mesmo drama.
Agora, o GDF tenta reparar em dias os estragos acumulados por anos de descaso. Para quem vive em São Sebastião, fica a expectativa de que a força-tarefa emergencial dê lugar a uma política permanente de cuidado com a infraestrutura urbana — antes que a próxima chuva volte a transformar ruas em rios e bairros em ilhas.



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