Cultura do DF em debate – CLDF abre seminário para construir propostas e enfrentar descontinuidade
A Câmara Legislativa do Distrito Federal abriu, nesta quinta-feira (4), o seminário “Construindo Políticas Públicas com Quem Faz Cultura: Rodas de Debate sobre a Cultura do DF”, um espaço de diálogo que reúne representantes de toda a cadeia cultural para discutir problemas históricos e construir caminhos conjuntos para o setor. A iniciativa é promovida pelo Fórum de Cultura do DF, pela Frente Unificada da Cultura e pela Frente Parlamentar de Promoção dos Direitos Culturais, presidida pelo deputado Fábio Felix (Psol).
O evento, que segue até amanhã, mobiliza artistas, produtores, gestores, conselheiros e membros da sociedade civil interessados em fortalecer a política cultural do Distrito Federal. O objetivo é formular propostas que serão sistematizadas em uma carta-compromisso a ser apresentada aos candidatos nas eleições de 2026.
Durante a mesa de abertura, Fábio Felix defendeu a necessidade de reorganizar o modelo de financiamento cultural da capital. Ele criticou a fragmentação das emendas parlamentares — que, segundo ele, têm sido usadas de forma dispersa e sem alinhamento ao Plano de Cultura do DF. “As emendas viraram um processo balcanizado, sem estruturação sistemática, o que compromete a perenidade das iniciativas”, afirmou.
O deputado também chamou atenção para a falta de continuidade nas ações do governo local, citando exemplos como o Carnaval de Brasília, o Cine Brasília e o Espaço Cultural Renato Russo, que frequentemente funcionam de maneira irregular e sem planejamento de longo prazo. “Infelizmente, a cultura no DF sofre com a descontinuidade. Projetos desaparecem de um ano para o outro, e isso prejudica a política pública, a cidade e todos nós que acreditamos na cultura como força de transformação social”, destacou.
Participantes do seminário ressaltaram ainda que, apesar dos avanços institucionais — como a aprovação da Lei Orgânica da Cultura e a criação do Sistema de Arte e Cultura do DF —, ainda falta efetivação prática. Representantes criticaram o uso inadequado do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) e a terceirização excessiva como práticas que fragilizam o setor.
O encontro deve encerrar com a elaboração de propostas concretas para orientar a atuação do próximo ciclo político, reforçando o compromisso de que a cultura do DF seja tratada como política de Estado — contínua, estruturante e capaz de transformar vidas.



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