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Crise no BRB expõe fragilidades e levanta dúvidas sobre gestão do GDF, apesar de discurso oficial

A decisão judicial que determinou, nesta terça-feira (18), o afastamento do presidente e do diretor financeiro do Banco de Brasília (BRB) reacendeu o alerta sobre a condução da instituição e gerou forte repercussão política e econômica no Distrito Federal. Embora o Governo do Distrito Federal (GDF) tenha divulgado nota afirmando “plena normalidade” nas operações e “total segurança administrativa e financeira”, especialistas e servidores do próprio banco afirmam que o episódio expõe fragilidades profundas na governança do BRB e sinaliza que a situação é mais grave do que o discurso oficial admite.

O afastamento dos dois principais dirigentes não é um fato menor. Trata-se do maior banco público regional do país, responsável por operações estratégicas de crédito, financiamento, folha de pagamento e gestão de programas sociais. Uma determinação judicial desse porte, motivada por suspeitas ainda não divulgadas na íntegra, indica que há elementos robustos o suficiente para justificar intervenção imediata no comando da instituição. Em vez de reconhecer a gravidade do momento, o GDF apressou-se em afirmar que “não há qualquer impacto estrutural”, em um esforço evidente para conter danos e preservar a imagem pública.

Contradições e silêncio sobre o motivo do afastamento

Apesar da longa defesa institucional publicada pelo governo, a nota não esclarece os pontos essenciais: por que o presidente e o diretor financeiro foram afastados? Quais fatos motivaram a decisão judicial? Houve falhas de gestão, risco à integridade financeira, irregularidades contratuais ou desvios de finalidade? O silêncio do GDF nesses aspectos fundamentais contrasta frontalmente com o discurso de “transparência” afirmado no texto oficial.

Fontes internas ouvidas pela reportagem apontam que a atual crise não surgiu de forma abrupta. Há meses, relatórios de órgãos de controle vêm apontando inconsistências em processos internos, fragilidades no compliance e deficiências na supervisão de contratos. Embora nada disso fosse suficiente, até agora, para provocar afastamentos, a decisão judicial desta terça-feira demonstra que esses alertas não foram devidamente enfrentados.

Indicação emergencial não resolve o problema

A indicação imediata de Celso Eloi de Souza Cavalhero para assumir a presidência do BRB também expõe o caráter emergencial da reação governamental. Embora Celso seja um servidor experiente da Caixa Econômica Federal, sua chegada repentina não responde às dúvidas que pairam sobre o banco. A substituição é necessária, mas não basta: o que o GDF fará para impedir novos episódios? Como garantir que os problemas que levaram ao afastamento dos dirigentes não se repitam?

A nota promete “medidas internas adicionais” e reforço de mecanismos de governança, mas não especifica quais mecanismos falharam nem como serão corrigidos. Para especialistas, isso reforça a percepção de improviso.

Mercado e servidores demonstram preocupação

Apesar da garantia de “estabilidade institucional”, o afastamento simultâneo de duas figuras centrais do comando do BRB naturalmente gera inquietação — tanto no mercado quanto entre servidores. O banco lida com operações bilionárias e é responsável direto pela movimentação financeira de centenas de milhares de pessoas. Uma crise dessa magnitude exige transparência e respostas objetivas, não apenas declarações políticas.

Além disso, parlamentares distritais já se movimentam para convocar representantes do governo e da direção interina a prestar esclarecimentos. A Câmara Legislativa, que terá de analisar a indicação de Celso Eloi, deve se transformar no principal palco do debate sobre o futuro do banco nas próximas semanas.

A confiança não se sustenta apenas com discursos

O GDF afirma em sua nota estar comprometido com “regularidade, transparência e responsabilidade”. No entanto, a confiança de clientes, servidores e investidores depende de fatos — não de declarações genéricas. Diante de uma decisão judicial tão significativa, o governo deve explicitar o que realmente ocorreu e como pretende enfrentar as causas do afastamento, e não apenas seus efeitos.

A crise instalada no BRB não se resolve com comunicados otimistas. Ao contrário do que a nota tenta transmitir, o episódio revela que há questões estruturais sérias e que a estabilidade do banco — e a credibilidade do governo — depende agora de respostas concretas, claras e verificáveis. Até lá, o clima é de cautela e preocupação. Por: André Teixeira – 62999907919.

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