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CEAL/LP à beira da paralisação – Mães vivem angústia enquanto cobram ação do GDF para evitar o fechamento de uma instituição que transforma vidas há 50 anos

O silêncio que assusta uma criança. A palavra que finalmente começa a aparecer depois de meses de estímulo. O aparelho que permite que um filho, antes isolado, comece a se comunicar com o mundo. Para centenas de famílias do Distrito Federal, esses avanços têm nome: CEAL/LP — Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni.

Mas esse trabalho de cinco décadas, referência no atendimento a pessoas com deficiência auditiva, intelectual e TEA, está ameaçado. A instituição, que depende de repasses do Governo do Distrito Federal, não recebe um centavo desde outubro. O atraso já chega ao terceiro mês e coloca em risco o atendimento de 420 bebês, crianças e adolescentes, além de mais de 40 mil procedimentos anuais nas áreas de saúde, assistência e educação.

Entre as famílias angustiadas está Daniele Pereira da Cruz, mãe de Gabriel, de 7 anos, que faz reabilitação na instituição — e que hoje teme perder o único espaço capaz de garantir o desenvolvimento do filho.

“Está correndo o risco de fechar, e isso já aconteceu outras vezes, mas nunca com um impacto tão grande como agora. São mais de 420 crianças que vêm aqui todos os dias. Nem pagando particular a gente consegue esse atendimento”, relata emocionada.
“Meu filho está desenvolvendo a fala agora. O aparelho que ele usa é emprestado daqui. O procedimento todo depende do CEAL. Eu fico imaginando: se isso parar, como vai ficar? É o único meio de comunicação que ele tem. Por isso estou repassando isso a todos, porque estamos desesperados.”

A fala de Daniele traduz o que ecoa diariamente nos corredores da instituição: medo, insegurança e a sensação de que conquistas duramente alcançadas podem desmoronar a qualquer momento.

Instituição confirma situação crítica

A coordenadora do CEAL/LP, Maria Inês Serra, confirma que a situação chegou ao limite:

“Estamos vivendo um momento crítico. Sem o repasse, não temos como honrar nossos compromissos. Quem sofre é a criança que fica sem atendimento e a família que perde seu suporte.”

Segundo a coordenação, a falta de recursos compromete salários de profissionais especializados, manutenção de equipamentos, terapias contínuas e todo o suporte oferecido às famílias.

Atraso atinge diversas instituições sociais do DF

O problema não é isolado. Outras OSCs também relatam que a falta de dotação orçamentária no fim de 2024 paralisou repasses essenciais.
A continuidade dos serviços depende da aprovação urgente de suplementação orçamentária pelo Executivo e pela Câmara Legislativa (CLDF).

Um apelo pela vida, pela dignidade e pelo futuro

O possível fechamento do CEAL/LP representa, para muitas famílias, a interrupção de tratamentos que não podem esperar — especialmente nos primeiros anos de vida, quando estímulos auditivos, cognitivos e de fala são decisivos.

Por isso, a instituição faz um apelo:

“Pedimos às autoridades do GDF e aos deputados distritais que priorizem a liberação dos recursos e evitem o colapso de uma rede de proteção social que atende milhares de brasilienses. O CEAL/LP existe para transformar vidas. Não podemos deixar que esse trabalho pare.”

Enquanto isso, mães como Daniele seguem vivendo dias de apreensão.

“Eles abriram as portas para o meu filho quando ninguém mais abriu. Pensar que ele pode perder isso… dói demais”, desabafa.

A luta agora é por visibilidade, apoio e urgência. Porque, para quem depende do CEAL/LP, cada dia sem atendimento representa um retrocesso — e cada palavra pronunciada por uma criança é uma conquista que não pode ser interrompida.

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