Advogado que pediu impeachment vê em ação da CVM prova de interferência política de Ibaneis na tentativa de compra do Banco Master
A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o rombo bilionário associado ao Banco Master abriu mais um capítulo de instabilidade política no Distrito Federal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou réus o governo do DF e Juliana Monici, chefe de gabinete do governador Ibaneis Rocha, em processo que investiga a atuação de ambos no âmbito do BRB. As citações já foram oficialmente entregues e, embora os detalhes do caso estejam sob sigilo, a medida amplia o cerco institucional ao Palácio do Buriti.
Juliana Monici é investigada na condição de integrante do Conselho Fiscal do BRB; o Governo do Distrito Federal figura como réu por ser acionista direto da instituição. O episódio ocorre em um dos momentos mais críticos para o banco público, cujo presidente, Paulo Henrique Costa, foi afastado nesta terça-feira (18), em meio às apurações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre as operações com o Banco Master.
As investigações apontam que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Master entre janeiro e maio, o que levou a Justiça a autorizar o bloqueio de bens nesse mesmo montante. Em outro momento, o banco realizou uma segunda transferência, ainda maior: R$ 16,7 bilhões. A sucessão de movimentações suspeitas culminou, também nesta terça, na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central.
Diante da decisão da CVM, o governador Ibaneis Rocha afirmou a imprensa que solicitou à Procuradoria-Geral do DF um parecer jurídico. “A informação é de que a decisão contraria a jurisprudência dos tribunais. Vou me reunir com a Procuradoria na segunda-feira”, disse o governador.
Marco Vicenzo – “A decisão da CVM vincula diretamente o governador à interferência política no caso Master”
Em meio ao turbilhão político e financeiro, uma voz tem ganhado projeção, o .do advogado Marco Vicenzo, autor do pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha e a vice-governadora Celina Leão. Segundo ele, a decisão da CVM reforça a necessidade de responsabilização das autoridades máximas do DF.
“Eu entendo que a decisão da CVM vincula diretamente o governador Ibaneis à interferência política na aprovação da compra do Banco Master”, declarou Vicenzo, ao comentar o impacto da abertura do processo administrativo-sancionador contra o GDF e Juliana Monici.
Para o advogado, a responsabilização não se limita ao campo administrativo ou ao controle externo. “Alcança diretamente o núcleo político do governo.”
Impeachment – “Agora está nas mãos dos distritais”
Vicenzo protocolou, na quarta-feira (19), o pedido de impeachment do governador e de sua vice, sob alegação de que ambos cometeram crime de responsabilidade ao avalizar — mesmo que indiretamente — a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, numa operação considerada temerária e sem respaldo técnico.
Ele afirma que a nova decisão da CVM fortalece ainda mais o argumento do pedido.
“Agora, está nas mãos dos distritais o andamento do impeachment”, disse, em referência aos deputados da Câmara Legislativa do DF (CLDF), que têm poder exclusivo para aceitar ou rejeitar o processo.
Cenário político em ebulição
A crise do BRB expôs vulnerabilidades graves na gestão financeira do DF e abriu flancos políticos que devem continuar repercutindo nos próximos dias. Com a CVM avançando, o Banco Central decretando liquidação do Master, a PF aprofundando investigações e a CLDF pressionada por um pedido de impeachment, o governo Ibaneis atravessa sua maior turbulência institucional desde o início da gestão.
O desfecho — político, jurídico e financeiro — agora depende do avanço das apurações e da disposição da Câmara Legislativa em dar prosseguimento ao pedido de afastamento do governador e da vice.



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