Como o DF, dono do maior PIB per capita do país, deixou sua educação pública cair ao último lugar do Brasil
A frustração com os índices negativos ecoa com força entre quem enxerga a educação como o único motor capaz de promover a verdadeira transformação social. Para a cientista política e pré-candidata a deputada federal pelo PSD-DF, Carol Fleury, a lanterna no ranking do Ideb é inaceitável para a história e a capacidade da capital.
A divulgação dos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) revelou um cenário alarmante no coração da capital federal: o Distrito Federal amarga o pior desempenho do país no ensino médio. Na contramão do avanço registrado no restante do Brasil, as escolas públicas da capital falharam em atingir as metas estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC) em todas as etapas avaliadas.
No ensino médio, somadas as redes pública e privada, a nota do DF despencou para 4,1, ficando bem distante da meta de 5,4 e descolada da média nacional de 4,5. Nos anos iniciais do ensino fundamental público, a capital registrou 6,0 (frente à meta de 6,5) e, nos anos finais, 4,7 (contra a meta de 5,3). O abismo se torna ainda mais evidente quando comparado à recuperação nacional, celebrada pelo Ministério da Educação como o melhor resultado do indicador desde 2005.
O tombo da educação distrital contrasta diretamente com o poder financeiro da unidade federativa. Detentor da maior renda per capita do Brasil, o Distrito Federal dispõe de recursos arrecadados e repasses constitucionais que não justificam a precarização do chão de fábrica escolar.
Enquanto obras e eventos milionários ocupam espaço na agenda de investimentos, turmas superlotadas, escassez de docentes, estruturas físicas degradadas e falta de tecnologia básica comprometem o aprendizado diário nas Regiões Administrativas (RAs) mais afastadas do Plano Piloto. A crise expõe uma grave falha de gestão e de prioridade política no uso do orçamento público.
“Brasília nasceu para ser referência”
A frustração com os índices negativos ecoa com força entre quem enxerga a educação como o único motor capaz de promover a verdadeira transformação social. Para a cientista política e pré-candidata a deputada federal pelo PSD-DF, Carol Fleury, a lanterna no ranking do Ideb é inaceitável para a história e a capacidade da capital.
“Brasília nasceu para ser referência. Também na educação. Não podemos aceitar que a capital do Brasil fique atrás quando o assunto é o futuro dos nossos jovens”, protestou Carol Fleury.
A especialista faz um contraste direto com a gestão educacional do estado vizinho, ressaltando que o problema do DF não reside na falta de verba, mas na ausência de planejamento estratégico:
“Goiás, um estado muito maior e com desafios ainda mais complexos, hoje ocupa o 1º lugar no Ideb do ensino médio. Isso mostra que bons resultados não dependem do tamanho do desafio, mas de gestão, planejamento e prioridade”, destacou.
Abismo da desigualdade e o alerta para o futuro
A queda no Ideb esconde uma cruel maquiagem estatística. Enquanto uma minoria atrelada a estruturas privadas ou a poucas instituições de elite sustenta médias isoladas, a vasta maioria dos estudantes da periferia do DF enfrenta salas de aula desestruturadas e descontinuidade pedagógica. O resultado é o fechamento de portas no Enem, no PAS e no acesso à Universidade de Brasília (UnB), empurrando a juventude para a informalidade e aumentando os índices de vulnerabilidade social.
Defendendo uma reestruturação profunda da rede pública, Carol Fleury cobra ações imediatas para reverter o déficit de aprendizagem do DF:
“O Distrito Federal tem tudo para voltar a ser exemplo: professores qualificados, escolas com potencial e estudantes talentosos. Precisamos investir na valorização dos profissionais, na recuperação da aprendizagem, em mais tecnologia dentro das salas de aula, no ensino técnico e na preparação dos nossos jovens para as profissões do futuro. Porque educação de qualidade não é gasto. É o melhor investimento que um governo pode fazer”, concluiu Fleury.
Procurada para comentar os números do Ideb e as metas não atingidas pela rede, a Secretaria de Educação do Distrito Federal não se manifestou.
Infográfico: Disparidade Regional no Ensino Médio (Ideb)
| Unidade Federativa / Média | Nota Alcançada | Meta Projetada | Situação em Relação à Meta |
|---|---|---|---|
| Goiás (1º Lugar Nacional) | 4,8 | Superada | Topo do Ranking Nacional |
| Média Nacional (Brasil) | 4,5 | — | Melhores índices desde 2005 |
| Distrito Federal | 4,1 | 5,4 | Abaixo da meta (Lanterna) |



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