Justiça reage à barbárie política e impõe freio a ataques covardes contra ex-prefeita de Novo Gama
A política do Entorno do Distrito Federal foi manchada por um episódio que escancara a degradação do debate público e a ausência de limites de alguns que transformaram a disputa política em um campo de agressões pessoais, humilhações públicas e violência moral.
A Justiça de Goiás precisou intervir para conter ataques ofensivos e covardes contra a ex-prefeita de Novo Gama, Sônia Chaves de Freitas Carvalho Nascimento, vítima de insultos públicos em redes sociais e grupos de WhatsApp. Em decisão firme, a 2ª Vara Cível da Comarca de Novo Gama concedeu tutela de urgência e determinou que o autor das ofensas, Edivam de Sousa Santos, se abstenha imediatamente de realizar novas publicações ofensivas, sob pena de multa diária de R$ 1 mil por cada nova agressão.
A magistrada Polliana Passos Carvalho foi clara ao reconhecer que houve violação à honra, à imagem e à dignidade da ex-prefeita, que relatou estar em tratamento médico por forte abalo psicológico, com sintomas de depressão.
Segundo os autos, em 31 de maio de 2024, o requerido utilizou um grupo de WhatsApp para atacar a ex-prefeita com termos de baixo calão, chamando-a de “quenga” e “quenga velha” — expressões misóginas, degradantes e incompatíveis com qualquer ambiente minimamente civilizado.
Quando a política vira instrumento de violência
O caso é mais do que um episódio isolado. Ele revela um fenômeno preocupante: a radicalização de setores que perderam completamente o senso de responsabilidade pública e passaram a usar redes sociais como arenas de linchamento moral.
Não se trata de crítica política. Trata-se de agressão pura, sem piedade, sem limites e sem qualquer compromisso com a verdade ou com a dignidade humana.
A própria Justiça reconheceu que a continuidade dessas publicações poderia causar danos irreparáveis, dada a velocidade de disseminação do conteúdo nas redes sociais. A juíza destacou que os ataques ferem diretamente a honra e a imagem pública da ex-prefeita, atingindo não apenas sua trajetória política, mas sua vida pessoal e emocional.
Decisão firme contra a violência digital
Na decisão, a magistrada determinou que o agressor está proibido de publicar, comentar ou compartilhar qualquer conteúdo ofensivo contra Sônia Chaves em redes sociais ou aplicativos de mensagens, inclusive WhatsApp. Cada nova violação acarretará multa de R$ 1.000.
A juíza também deixou claro que a medida não fere a liberdade de expressão, mas busca preservar direitos fundamentais da vítima enquanto o processo segue seu curso.
A ação é de indenização por danos morais e ainda será julgada definitivamente, mas a tutela de urgência já representa um marco contra a impunidade digital.
O retrato de uma política adoecida
O episódio revela uma triste realidade: há quem ultrapasse todas as barreiras da política e transforme divergência em ódio, disputa em perseguição e opinião em agressão.
É o retrato de uma política adoecida, onde alguns acreditam que vale tudo para tentar destruir reputações, especialmente de mulheres que ocuparam espaços de poder.
A decisão judicial é um recado direto: a internet não é terra sem lei. A política não pode ser desculpa para a covardia. E a democracia não convive com o linchamento moral.
O respeito precisa voltar a ser regra. A crítica é legítima. A agressão, não. Ainda cabe recurso.



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