Maria do Monte em 2025 – Protagonismo social, avanços institucionais e os limites da política de cuidado em Valparaíso
O ano de 2025 consolidou a vereadora Maria do Monte como uma das vozes mais ativas da Câmara Municipal de Valparaíso de Goiás quando o tema é proteção social, direitos das mulheres e inclusão. Com uma trajetória marcada pela militância comunitária, a parlamentar conseguiu imprimir ao mandato uma identidade clara: a defesa dos mais vulneráveis. Ainda assim, seu protagonismo também expõe os dilemas e limites de uma atuação que precisa avançar do simbolismo institucional para resultados estruturais de longo prazo.
Moradora de Valparaíso há mais de quatro décadas e com formação em pedagogia, Maria do Monte construiu sua legitimidade política fora dos gabinetes, a partir da educação, da assistência social e do trabalho voluntário. Em 2025, essa trajetória se traduziu em uma agenda legislativa fortemente voltada ao campo social, em contraste com uma Câmara muitas vezes pressionada por pautas imediatistas ou de menor impacto coletivo.
O principal marco do ano foi a instalação da Procuradoria da Mulher no Legislativo municipal, com a própria vereadora assumindo o posto de procuradora. O ato representou um avanço institucional relevante ao criar um canal permanente de acolhimento, fiscalização e encaminhamento de demandas relacionadas à violência de gênero, desigualdade e discriminação. A presença de lideranças estaduais e federais no ato reforçou o peso político da iniciativa e a capacidade de articulação da parlamentar.
No entanto, a criação da Procuradoria também levanta uma questão central: sua efetividade. Em um município onde os índices de violência doméstica seguem preocupantes, o desafio não está apenas na existência do órgão, mas na capacidade de transformá-lo em instrumento real de proteção, com integração efetiva às redes de saúde, assistência social e segurança pública.
Nesse sentido, o Projeto de Lei nº 34/2025, de autoria de Maria do Monte, surge como uma tentativa concreta de enfrentar entraves históricos no atendimento às vítimas de violência doméstica. Ao autorizar médicos da rede pública municipal a realizarem a constatação de lesões corporais leves, o PL busca reduzir a burocracia, acelerar o acolhimento e garantir mais dignidade às mulheres atendidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). A aprovação em primeira votação sinaliza avanço, mas também exige acompanhamento rigoroso para que a medida não fique restrita ao papel.
Fora do plenário, Maria do Monte manteve ações que reforçam sua imagem de política enraizada na comunidade. A tradicional Festa das Crianças, realizada há quase 30 anos, continua sendo um símbolo dessa atuação social contínua. O evento, que reúne serviços, lazer e atendimento à população, demonstra uma política de proximidade que poucos parlamentares conseguem sustentar ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, críticos apontam a necessidade de que essas ações estejam cada vez mais conectadas a políticas públicas permanentes, evitando que o assistencialismo se sobreponha à transformação estrutural.
A vereadora também participou ativamente de conselhos municipais estratégicos, como o dos Direitos das Mulheres e o da Merenda Escolar, além de apresentar indicações para melhorias em bairros historicamente negligenciados, como o Unimorar. Essas frentes ampliam sua influência política, mas evidenciam outro desafio recorrente: a dependência da vontade do Executivo para que propostas e indicações saiam do papel.
O balanço de 2025 mostra uma parlamentar ativa, coerente com sua trajetória e alinhada a pautas sociais essenciais, em um cenário político que nem sempre valoriza esse tipo de agenda. Maria do Monte se destacou por dar centralidade à dignidade humana, especialmente das mulheres, crianças e trabalhadores informais. Ainda assim, o próximo passo de seu mandato exige ampliar a capacidade de converter avanços institucionais e projetos aprovados em mudanças mensuráveis na vida da população.
Maria do Monte encerra 2025 fortalecida politicamente, com capital social e reconhecimento público. Resta agora o desafio maior: transformar o protagonismo social em políticas duradouras, capazes de resistir ao tempo, às disputas políticas e às limitações históricas do poder municipal.



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