Rede de proteção do DF amplia atendimento e acolhe milhares de vítimas de violência
“Ser mulher é viver sempre com medo.” O desabafo duro, sincero e doloroso veio de uma das milhares de vítimas de violência atendidas na rede pública do Distrito Federal. O relato retrata uma realidade que, só entre janeiro e outubro deste ano, levou mais de 4,8 mil pessoas a buscarem apoio nos Centros de Especialidades para Atenção às Pessoas em Situação de Violência (Cepavs).
Para dar respostas mais rápidas e qualificadas a essa demanda crescente, o Governo do Distrito Federal (GDF) ampliou a rede de atenção, reforçou equipes e aprimorou os protocolos de cuidado. Hoje, o DF conta com 18 unidades distribuídas em diversas regiões administrativas, oferecendo acolhimento biopsicossocial e encaminhamento especializado às vítimas — mulheres, crianças, adolescentes, idosos e demais pessoas em situação de vulnerabilidade.
Um passo difícil, mas transformador
A trajetória de quem chega aos serviços muitas vezes é marcada por medo, vergonha e silêncio. Foi assim com uma usuária atendida no Cepav de Santa Maria. Ela conta que já realizava sessões de terapia, mas ainda não conseguia denunciar o que vivia dentro de casa.
“Eu já fazia acompanhamento psicológico, e um dia criei coragem e contei o que estava acontecendo”, lembra. O relato sensibilizou o profissional, que recomendou que ela buscasse o atendimento especializado para mulheres em situação de violência.
“Foi aí que comecei a procurar na internet”, conta. Depois de encontrar o contato, ela agendou o primeiro atendimento e decidiu enfrentar o medo. “Conversei com uma assistente social e ela passou a me acompanhar. Fiz duas ou três sessões individuais e depois entrei para o grupo de mulheres.”
O primeiro dia no grupo, ela admite, foi um dos mais difíceis.
“Estava muito nervosa. Falar sobre o que aconteceu não é fácil. Eu não sabia o que esperar.”
Mas o acolhimento e a troca de experiências com outras mulheres em situações semelhantes fizeram com que ela se sentisse menos sozinha — e mais fortalecida.
Atendimento humanizado e articulação de serviços
Nos Cepavs, as vítimas recebem acompanhamento de equipes multiprofissionais compostas por psicólogos, assistentes sociais e outros especialistas. A atuação é pautada na escuta qualificada, no sigilo e no respeito à autonomia das pessoas atendidas.
Os protocolos revisados recentemente pelo GDF garantem que cada caso seja avaliado de forma individualizada, com orientações sobre medidas de proteção, encaminhamento para rede de saúde, assistência social, Justiça, segurança pública e demais serviços necessários para romper o ciclo da violência.
Uma rede que salva vidas
A expansão dos Cepavs representa mais do que números: é a ampliação de um espaço seguro, onde vítimas que antes sofriam em silêncio encontram apoio, proteção e reconstrução. É também um passo importante na luta contra todas as formas de violência, especialmente a praticada dentro de casa — aquela que costuma deixar marcas profundas e silenciosas.
Para muitas mulheres, como a usuária de Santa Maria, o atendimento no Cepav se torna um divisor de águas. “Eu senti que ali era um lugar onde eu podia falar, ser ouvida, ser acolhida. Isso fez muita diferença para mim.”
Com mais unidades, profissionais capacitados e uma política pública que integra saúde, assistência e direitos humanos, o DF fortalece a rede de proteção e reafirma seu compromisso com a defesa da vida e da dignidade de todas as pessoas.



Publicar comentário