Maracutaia do Café – Operação expõe esquema milionário de café adulterado em Goiás e alcança o Detran-GO
A investigação que revelou um vasto esquema de venda de café adulterado em Goiás continua avançando e atingindo novos desdobramentos. Após a Polícia Civil desencadear a chamada “maracutaia do café”, equipes da Vigilância Sanitária estiveram, nesta semana, no Detran-GO para recolher possíveis lotes do produto fraudado. O órgão é comandado pelo ex-deputado federal Delegado Waldir, e aparece no Portal da Transparência como comprador de café da empresa investigada.
Segundo os dados oficiais, o Detran-GO adquiriu R$ 392 mil em café da A&A Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios LTDA, a mesma empresa apontada pela Polícia Civil como responsável por fornecer café adulterado a órgãos públicos em diversas cidades goianas. O contrato foi firmado em fevereiro deste ano.
Esquema milionário desmontado pela Polícia Civil
O caso ganhou repercussão estadual após a atuação do delegado Humberto Teófilo, que denunciou a existência de uma rede organizada para vender café adulterado a prefeituras e repartições públicas. Há cinco dias, a investigação chegou ao ponto crucial: agentes flagraram 4.500 kg de palha de café sendo descarregados em um depósito clandestino.
O material era misturado ao produto final, fraudando marcas como Cristal Du Puro e Café Granado. O flagrante reforçou a gravidade do esquema, que movimentava grandes volumes e ameaçava diretamente a saúde da população.
Durante a ação, o responsável pelo local tentou fugir, mas foi detido. O depósito clandestino foi imediatamente interditado.
Café adulterado abastecia serviços públicos em pelo menos 15 municípios
Documentos apreendidos pela Polícia Civil comprovam que a empresa investigada venceu licitações e abasteceu serviços essenciais em pelo menos 15 cidades goianas, incluindo escolas, repartições públicas e até famílias atendidas por programas sociais. Entre os municípios identificados estão:
Minaçu, Carmo do Rio Verde, Vila Boa, Santa Fé de Goiás, Guapó, Abadia de Goiás, Anicuns, Goianira, Senador Canedo, Paraúna, Joviânia, Santa Helena de Goiás, Leopoldo de Bulhões, Silvânia e Piracanjuba.
O uso de palha e resíduos para substituir café representa risco sanitário significativo, podendo causar danos à saúde dos consumidores — muitos deles crianças e idosos atendidos por redes públicas.
Fase atual da operação
Com novas frentes de apuração abertas, a Vigilância Sanitária busca agora identificar todos os órgãos públicos que consumiram o produto adulterado — incluindo se o Detran-GO, de fato, foi abastecido com o lote fraudado.
A operação segue em expansão e promete atingir novos alvos nas próximas semanas. A orientação é que qualquer servidor que tenha acesso ao produto suspeito comunique imediatamente às autoridades de fiscalização.



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