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OAB-DF se solidariza com família de Camilla Santos Silva e denuncia brutalidade do feminicídio que chocou o país

O assassinato da advogada Camilla Santos Silva, presidente da Comissão da Mulher Advogada da 112ª Subseção da OAB de Piraju (SP), e de seu pai, Paulo Sérgio da Silva, mergulhou o país em profunda indignação e luto. Ambos foram mortos com extrema violência no interior de São Paulo, em um episódio que representa não apenas a perda de duas vidas, mas também uma afronta direta à luta histórica contra a violência de gênero no Brasil.

Camilla era reconhecida por sua atuação firme, técnica e incansável em defesa das mulheres vítimas de violência doméstica. Sua trajetória profissional foi marcada por coragem e por um compromisso inabalável com a construção de uma sociedade mais segura e mais justa para as mulheres. Morreu, tragicamente, vítima do mesmo tipo de violência que enfrentou durante toda a carreira jurídica.

A Seccional do Distrito Federal da OAB (OAB/DF), a Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAADF) e a Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF lamentaram com pesar profundo o feminicídio da colega e o assassinato de seu pai — crimes que evidenciam a crescente escalada de brutalidade que atinge mulheres em todo o país, independentemente de classe social, atuação profissional ou grau de exposição.

É inaceitável que uma defensora tão firme dos direitos das mulheres tenha sido vitimada justamente pelo crime que combatia. Ainda mais que essa violência tenha levado seu pai”, declarou o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira (Poli). Ele destacou que o episódio revela, tragicamente, o quanto é urgente o fortalecimento de políticas públicas eficazes, capazes de interromper o ciclo de violência que vitima milhares de brasileiras anualmente.

A OAB/DF, a CAADF e a Comissão da Mulher Advogada expressaram também solidariedade irrestrita à mãe da advogada, sobrevivente da ocorrência. Ela enfrenta agora uma dor devastadora, emocionalmente e fisicamente, e as entidades afirmam que ela deve receber todo o apoio necessário para atravessar esse momento de sofrimento incomensurável.

Em nota, as instituições reafirmaram seu compromisso de seguir “incansáveis na defesa de políticas públicas contra a violência de gênero”, colocando-se à disposição da família, da comunidade jurídica e da OAB de São Paulo no apoio institucional e emocional diante da tragédia.

A morte de Camilla e de seu pai reabre, com força renovada, o debate sobre o avanço do feminicídio no Brasil — um crime que não recua, que invade lares, desestrutura famílias e silencia mulheres, inclusive aquelas que dedicam a vida a proteger outras. A dor expressa pela OAB ecoa em todo o sistema de Justiça e na sociedade, que se vê novamente confrontada com sua incapacidade de impedir uma tragédia anunciada.

À família enlutada, aos amigos, à comunidade jurídica e à OAB/SP, ficam registradas as condolências, o respeito e um apelo: que a morte de Camilla não seja mais um número na estatística, mas um marco de responsabilidade coletiva para exigir ação, proteção e justiça.

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