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CEF 120 de Samambaia vira símbolo da urgente necessidade de transparência na Educação do DF

A comunidade escolar de Samambaia vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. O Centro de Ensino Fundamental (CEF) 120, referência para centenas de famílias da região, tornou-se palco de uma grave investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), após denúncias de desvio de uma verba de R$ 5 mil destinada ao projeto social Na Moral — iniciativa que, ironicamente, tem como missão fortalecer valores como ética, empatia e transparência entre os estudantes.

A acusação atinge diretamente os ex-diretores da unidade, afastados de suas funções desde 3 de outubro por determinação judicial, pelo período inicial de 60 dias. A decisão visa garantir a apuração rigorosa de suspeitas de fraude em assinaturas de professores em atas de prestação de contas — documento essencial para comprovar o uso correto de recursos públicos.

O caso ganhou contornos ainda mais graves após o depoimento de Fátima*, professora com 18 anos de dedicação ao CEF 120 e que, por mais de uma década, conviveu profissionalmente com os gestores denunciados. Segundo ela, tanto a diretora quanto o vice-diretor reincidiam em falhas na prestação de contas e evitavam dar explicações sobre o uso das verbas da escola. A situação chegou ao limite quando, em uma coordenação coletiva, professores questionaram o vice-diretor sobre o repasse do Na Moral. A resposta chocou a todos: “o dinheiro jamais chegou”.

A frase, curta e direta, expõe a contradição que revolta educadores, pais e estudantes. “É imoral que a verba destinada a um projeto que fala sobre ética e transparência tenha sido desviada de função”, disse outra professora, resumindo o sentimento de frustração que tomou conta da comunidade escolar.

No relatório enviado ao MPDFT, as idealizadoras do Na Moral — entre elas promotoras de Justiça e professoras — confirmam que os recursos foram, sim, repassados à escola em agosto, por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF). O suposto sumiço do dinheiro não apenas comprometeu a execução plena do projeto, como impediu a compra de materiais, limitou oficinas e inviabilizou etapas fundamentais da iniciativa.

A situação do CEF 120 expõe, de forma contundente, um problema estrutural: quando a transparência falha dentro de uma escola, falha também o compromisso com a formação ética e cidadã que deveria ser o alicerce de toda política educacional.

O MPDFT informou ao Metrópoles que acompanha o caso junto à Corregedoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e garantiu que tomará as providências necessárias. A SEEDF foi procurada, mas ainda não se pronunciou — e a comunidade aguarda respostas urgentes.

Enquanto isso, pais, alunos e professores cobram o que deveria ser regra, não exceção: responsabilidade com o dinheiro público, respeito à escola e compromisso com a verdade. No CEF 120 de Samambaia, onde se ensina cidadania todos os dias, a expectativa é que a investigação traga justiça — e que a lição deixada por esse episódio resulte em uma educação mais íntegra, mais transparente e mais humana para todos.

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