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Regalias e tratamento diferenciado – Como deve ser a rotina de Jair Bolsonaro na cadeia

Preso por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve cumprir sua detenção inicial em condições muito diferentes das enfrentadas pela maioria dos detentos brasileiros. Embora ainda não haja confirmação oficial sobre todos os detalhes da custódia, as informações disponíveis apontam para um cenário de estrutura privilegiada, cuidados especiais e tratamento que, na prática, configura regalias incomuns no sistema prisional.

Cela especial com banheiro privativo e estrutura de conforto

Reportagem da NSC Total revela que a cela preparada pela Polícia Federal para custodiar Bolsonaro inclui:

  • Banheiro reservado,
  • Cama,
  • Mesa de trabalho,
  • Cadeira,
  • Televisão.

Esse conjunto de itens coloca o espaço muito acima da realidade dos presídios brasileiros, que enfrentam superlotação, condições insalubres e celas onde, em muitos casos, sequer há banheiro interno.

A estrutura se aproxima do que seria uma sala de Estado-Maior, privilégio concedido a autoridades e militares de alta patente. Ainda que não seja oficialmente intitulada como tal, o ambiente preparado para Bolsonaro cumpre, na prática, funções semelhantes: isolamento, privacidade e comodidades.

Atenção médica frequente e acompanhamento especializado

Outro diferencial evidente na custódia de Bolsonaro diz respeito ao acompanhamento médico.

Segundo a AP News, a defesa do ex-presidente argumenta que ele não poderia ser levado ao sistema prisional comum porque necessita de acompanhamento médico regular, incluindo:

  • Cardiologista
  • Gastroenterologista
  • Dermatologista
  • Monitoramento constante de pressão e frequência cardíaca

A equipe médica particular que o acompanha relatou, inclusive, a detecção de câncer de pele em estágio inicial em algumas lesões, como informou a euronews.

Ao longo de sua detenção, Bolsonaro já foi liberado para realizar exames em hospitais particulares, situação incomum para a quase totalidade dos detentos brasileiros, que dependem do sobrecarregado sistema público de saúde.

A defesa ainda menciona a necessidade de “frequentes visitas de múltiplos especialistas”. Embora não exista comprovação de que haja médicos disponíveis 24 horas por dia dentro da cela, há evidente acesso facilitado e constante ao corpo médico — algo raríssimo dentro do sistema penitenciário nacional.

Possível transferência para unidades que já acolheram autoridades

A Folha de S.Paulo, citada pelo Portal do Holanda, informou que Bolsonaro pode ser transferido para o Complexo da Papuda, inclusive para áreas que já receberam autoridades e presos célebres, onde historicamente houve relatos de regalias.

Apesar disso, a SEAPE-DF afirmou que nenhuma unidade da Papuda dispõe de salas formalmente classificadas como “Estado-Maior”, o que gera dúvida sobre o nível de conforto que o ex-presidente poderá manter caso deixe a estrutura da Polícia Federal.

Ainda assim, mesmo sem a garantia legal da sala especial, a presença de tratamento diferenciado para figuras públicas não é novidade nas unidades do DF.

Entre a regalia e o privilégio; o que se sabe até agora

Embora faltem provas de que Bolsonaro tenha um “mini-hospital” dentro da cela, as informações disponíveis apontam para:

  • Alojamento reservado e confortável, incomparável ao de presos comuns;
  • Acesso facilitado a médicos e especialistas, com ida a hospitais sempre que necessário;
  • Acompanhamento periódico por profissionais particulares, autorizado pelo STF;
  • Possível transferência para áreas historicamente usadas por autoridades, longe da massa carcerária;
  • Privacidade ampliada, sem contato com outros detentos.

Enquanto milhares de presos brasileiros enfrentam celas superlotadas, sem ventilação, higiene ou atendimento médico adequado, Bolsonaro inicia sua detenção envolto em uma estrutura de privilégios e atenções que destoam profundamente da realidade carcerária do país.

A situação evidencia, mais uma vez, como a condição social e o passado político influenciam diretamente a forma como diferentes cidadãos são tratados dentro — e fora — do sistema penitenciário brasileiro. Por: André Teixeira.

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